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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Ana e sua avó

Postado por Flávia às 08:22 1 comentários
É com carinho que observo a relação que Ana está construindo com minha mãe.

Minha mãe sempre esteve presente nos perrengues da recente caminhada da Aninha. Nos primeiros dias de nascida, quando eu ainda não tinha leite para alimenta-la, a avó dormiu com ela sentada no sofá da maternidade. A única posição que acalmou o bebê. Nas cólicas e nas crises de refluxo. Na primeira gripe e consequentemente sua primeira ida a emergência de hospital. A vovó milagrosamente aparecia sempre nos momentos em que Ana mais precisava. Minha mãe mora em outra cidade e em alguns momentos que ela veio nos visitar foi coincidentemente nos que mais precisávamos do seu colo. Sei que nunca foi coincidência.  Sei o quanto essas duas estão conectadas. E admiro tanto isso.

Acho incrível a relação das duas. E vejo Ana respondendo a isso de uma forma especial.

Minha mãe é a única pessoa que Ana vai para o colo imediatamente, sem estranhamentos, apesar de passar meses sem ver. Aprendeu a engatinhar com desenvoltura e começou a andar de verdade na casa da avó. Das cinco primeiras palavras duas foram ensinadas pela vovó. Pombo que ela pronuncia Pom e miau complementando a musica “Atirei o pau no gato”. A terceira foi bó ( vó) que ela falou nessa semana durante mais uma visita da minha mãe. Semana esta que ela ficou resfriada e nervosa em razão de mais dois dentinhos. E avó do lado entretendo, amando e sugerindo soluções para acalma-la.

Lembro de ouvir uma senhora que tem um neto da mesma idade de Ana. Ela falava de como gostava do neto e o quanto admirava a mãe que a filha tinha se tornado. Porém, a única coisa que a entristecia era que a filha não lhe tinha permitido ser avó. E por mais que ela quisesse participar com seus conselhos de quem já tinha sido mãe, nunca conseguiu. Um dia a filha ligou chorando porque precisou levar o bebê ao hospital e lá como uma boa emergência que se preze já tinham furado a criança desnecessariamente uma serie de vezes. Era um caso leve de desidratação. Com tristeza a avó constatava que a filha só a procurou em último caso. Lembro ainda de suas palavras: “Se me procurasse no inicio orientaria a dar bastante água, mas agora depois de dias e já no hospital, o que eu poderia fazer”. Ali a minha experiência não valia mais nada.

Eu , naturalmente, sempre respeitei e busquei a presença da minha mãe nos cuidados com Ana. Nunca me senti invadida ou pressionada. Acho que tudo se resume a como você se posiciona diante dos acontecimentos e das pessoas. Se com tranquilidade e respeito, dessa mesma forma também receberá. Ouço, analiso e tomo as minhas próprias decisões de acordo com o meu jeito de maternar. Nunca desfaço do que ela aprendeu e da sua experiência como mãe. Não há forma melhor ou pior. Apenas diferente.

E acho que estou no caminho certo na relação mãe e filha que prossigo vivendo e na relação neta e avó que está se construindo. Os bons frutos são incontestáveis. Vejo o amor, o companheirismo e a cumplicidade evoluindo em cada relação. Vejo uma parceira que antes era só minha se tornar também essencial na vida da minha Ana. Uma parceira de caminhada para os bons e não tão bons momentos. Como não estimular e buscar algo assim? Como não permitir que a minha filha viva esse amor?

Amor de vó. Casa de vó. Cheiro de vó. Lembrança pra toda vida que não negarei a minha filha. Seguirei realizando as minhas escolhas, respeitando a experiência e as diferenças. Sim. Acho que nesse quesito serei um bom exemplo para Ana. Espero sinceramente também colher incontestáveis frutos dessa semente. E um dia viver essa relação de amor com os meus netos.
 

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